Planaltina-GO na visão do Delegado Cristiomário

planaltina.net.br: Dr. Cristiomário, como o senhor encontrou o quesito  segurança aqui na cidade?
Dr. Cristiomário: Bem nós estávamos com uma situação que estava desorganizada da parte da Policia Civil aqui na cidade, nós tínhamos aqui uma equipe ainda pequena. Com o último concurso foi possível a vinda de três Delegados para cidade, mais agentes e mais escrivães, e nós estamos a quatro meses aqui na cidade tentando de primeiro momento dar uma organizada na casa. Vários inquéritos que estavam parados aqui a anos, hoje já está sendo dado seguimento, já tem pessoas sendo ouvidas, já houveram várias prisões decorrentes do trabalho iniciado dessa nova equipe da Polícia Civil aqui. Então havia aí uma situação de desorganização. Porém nós  já conseguimos mostrar um resultado aqui para a comunidade.

planaltina.net.br: De seu ponto de vista, o que precisa ser feito hoje nesta cidade?
Dr. Cristiomário: Nós ainda temos como meta, nós ainda temos um passivo aqui de mais de mil inquéritos policiais, com pouca investigação feita, então; nossa obrigação, nossa meta nos próximos meses é, conseguir dar encaminhamento a essas investigações e poder mostrar o resultado para essa cidade. É a gente imagina que seja muito ruim para comunidade ter casos como: homicídio, latrocínio, que não teve nem um tipo de investigação. Porque isso cria nas pessoas que não são de bem, nas pessoas desonestas algumas sensação de impunidade. Então é nossa obrigação. É tentar dar encaminhamento a essas investigações, para que as pessoas que eventualmente queiram cometer esses crimes,  tenham certeza de que serão no mínimo processadas e investigadas. Esse é o objetivo nosso.
O que acontece: Diferente da Polícia Militar. A Polícia Militar em geral atua antes, tentando prevenir a ocorrência do crime. A Polícia Civil atua depois que o crime ocorre. Então nosso trabalho, vamos dizer assim;  ocorre depois que acontece o crime. Mas se não há essa investigação cria assim essa sensação de impunidade. Aí o bandido acha que pode continuar cometendo crime, por que não vai ter nenhuma punição. Nosso papel aqui é mostrar para as pessoas que eventualmente cometerem crime que elas serão processadas e julgadas em algum momento.

planaltina.net.br: A questão do Presídio, como está isso?
Dr. Cristiomário: A gente tem uma situação complicada ainda, o presídio precisa de reforma.
Tem uma quantidade de preso maior do que aquela que ele pode suportar, este ano mesmo, tivemos várias fugas que ocorreram lá. Por causa de toda essa situação, vamos dizer assim; uma situação que preocupa a gente. Não é de responsabilidade direta da Polícia Civil por que o Presídio tem uma administração própria, eles conseguem ter uma secretaria, que tem responsabilidade de cuidar disso. Está vinculado ao Governo Estadual, porém é uma preocupação geral da comunidade como um todo. Eu acho importante que a sociedade de Planaltina se mobilize para tentar resolver o mais rápido possível essa situação, garantindo uma boa reforma, uma ampliação do presídio, dar uma situação melhor e uma segurança maior pra comunidade com um presídio um pouco mais estruturado.

planaltina.net.br: Que falta hoje para o Dr. trabalhar com estrutura?
Dr. Cristiomário: Nós conseguimos algum recursos  que vão ser importantes para a reforma do prédio. Nós vamos reformar a nossa estrutura  aqui onde nós trabalhamos. Que é uma estrutura um pouco precária. Mas nós acreditamos que vai melhorar. Um projeto do Governo Estadual que chama: Programa Dinheiro Direto nas Delegacias e Quarteis. Nós recebemos aqui um valor  que vamos usar para trocar todas as divisórias, fazer novas pintura trocar a parte de visual toda da DP reformar as celas, nós temos celas aqui só para menores e essas celas serão reformadas, para que dê uma situação melhor de trabalho  para as pessoas que atuam aqui: Delegados, agentes e escrivães. E agora nós temos ainda uma equipe pequena, a gente espera que a médio prazo, haja um novo concurso e que possa vir outras pessoas para atuar aqui. Agentes, escrivãs e novos delegados até para que um dia a gente possa ter uma central de flagrantes aqui. Que hoje os flagrantes da noite, dos fins de semana vão para Formosa. Então o ideal é que um dia tenha delegados, agentes e escrivães suficientes  para fazer os flagrantes aqui mesmo em Planaltina.

Planaltina.net.br: Dr. Cristiomário, como está a questão dos flagrantes?
Dr. Cristiomário: aqui na cidade já no primeiro trimestre desse ano; de janeiro a março, nós tivemos 22 homicídios. Desses 22 homicídios, nós só tivemos 2 que foram situação de flagrantes em ato; em que as pessoas foram presas no mesmo momento e levadas pra formosa ou para Planaltina para fazer o flagrante. Desses então 22, ficaram 20 que vão ser apurados no dia a dia. Então a maior parte das ocorrências elas são apuradas depois mesmo. Então hoje a prioridade da Polícia Civil é apurar os fatos que ocorrem e que não são pegos os autores no mesmo momento. Se a gente pegar todos os delegados nossos e colocar pra fazer flagrante só aqui à noite e final de semana, a gente não tem a apuração destes outros casos. A estrutura nossa hoje não comporta fazer as duas coisas, então hoje ainda é necessário essa permanência nos flagrantes à noite e finais de semana em Formosa. Em que pede a gente ter aqui uma parceria muito boa com a Polícia Militar. Nós já temos feito isso. Muitas vezes a PM vai fazer alguma operação e pede e a gente fica aqui em plantão, ajuda eles para não precisar fazer esse deslocamento. Mas ainda são questões esporádicas. O ideal no futuro é ter mais delegados, mais agentes, mais escrivães para a gente possa implantar uma central de flagrantes aqui mesmo.

planaltina.net.br: Que mensagem o Senhor deixa a nossa sociedade?
Dr. Crisitiomário: A Policia Civil não vai poder resolver muitas das questões sociais que a sociedade sente. Nós temos aí problemas na saúde, educação, problemas em outras áreas. A gente aqui atua numa área que é importante para a sociedade que é a área da segurança. Nessa área a gente divide com a Polícia Militar e com os bombeiros; as vezes até com a Guarda Municipal e outras instituições assim essa obrigação de atender a comunidade. Nós aqui, abrimos a Delegacia pro povo, temos atendido as pessoas na medida do possível, temos tentado adiantar aqui os processos investigatórios, principalmente destes inquéritos mais antigos e principalmente dos casos que envolvem a vida que pra gente é o bem mais importante; porque latrocínio, homicídios; muitos casos desses haviam na cidade que não tinham nenhum tipo de investigação. Então nossa obrigação é fazer no mínimo isso: investigar estas coisas. Nós temos ainda uma estrutura pequena, pouca gente aqui pra muito serviço, porém a sociedade tem apoiado. Nós temos prestado serviço, prestado contas do nosso trabalho com todos os órgãos que nos procuram, imprensa, sites locais, jornais locais; temos inclusive uma comunidade no Facebook da Polícia Civil aqui de Planaltina, onde a gente presta contas do que a gente tem feito e das ações mais importantes. Nós temos tentado fazer isso. Nós temos ainda como eu disse um volume muito grande de trabalho, mas esperamos a médio prazo poder dar mais resultados à cidade e também poder mostrar uma diminuição no número de crimes. Porque quando a gente consegue, como a gente tem conseguido hoje prender os principais cometedores de homicídios na cidade, os principais assaltantes, os principais traficantes; certamente isso vai impactar a médio prazo, na redução de crimes. Porque aqueles que achavam que iriam ficar impunes, vão saber que não vão mais e aqueles que eventualmente tiverem a intenção de cometer crimes sabem que se cometerem terão uma possibilidade muito grande de serem punidos por eles. Essa na minha opinião é a coisa mais importante hoje, e o Delegado de Polícia, representa; talvez seja um dos poucos espaços que a comunidade tem para falar diretamente pro Poder Público e com alguém que não é político, que não depende de voto, que não precisa... a gente está aqui por que questão de concurso público, mas é um servidor, nós somos servidores públicos e é um servidor público a que a população ainda tem acesso. Às vezes há dificuldade de chegar ao Juiz, ao promotor até pelas tarefas que ele tem. O Delegado de Polícia acaba sendo mais acessível. Então é isso que eu posso dizer pra comunidade. Estar aqui para ouvir todo mundo, falar para as pessoas de bem, as pessoas honestas que são maioria na cidade. Que com essa minoria que quer cometer crime nós vamos tratar de acordo com o que a Lei prevê: vamos puni-los, vamos processá-los, vamos encaminhar ao judiciário os processos como deve ser.

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